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Monday, March 9, 2009

Visita à Aldeia Krahô




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Tuesday, July 1, 2008

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Sunday, June 8, 2008

Origem dos índios Krahô

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Cultura e Rituais dos Indios Krahô

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História dos Krahô

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Friday, June 6, 2008

Nosso Projeto


Saberes, teorias e objetos de matrizes ocidentais traçam o horizonte da maioria das pesquisas, como se vivêssemos em uma ágora ampliada. A proximidade espacial, no Estado do Tocantins, de grupos constituídos por outras matrizes socio-histórico-culturais, as etnias Karajá, Xerente, Apinajé, Javaé, Krahô, propicia um profícuo diálogo intercultural, permitindo uma ampliação do conhecimento para além da ágora, “sem medo de ir aonde não encontramos mais as luzes projetadas por nossa própria imagem.”

Destacamos o povo Krahô, cuja língua ainda não foi objeto de um amplo estudo(1), sobretudo sob a ótica discursiva. Objetiva-se, assim, o discurso, prática concreta entre sujeitos reais, forjador da realidade social. Que arranjos lingüísticos tecem, medeiam as trocas sociais mais restritas, como as familiares, e as ampliadas, envolvendo todo o grupo nos ritos? Que atos de fala emergem dessas interações? Como a emoção materializa-se discursivamente nas cerimônias de luto, por exemplo? Como se constitui a relação entre adulto e criança nos discursivos relativos à aprendizagem, à construção de conhecimentos? Há um espaço para a ordem, o comando, para a obediência?

Muitas são as indagações. Muitos são os objetivos. A consecução dessa proposta demanda muitos olhares, várias cabeças, diferentes perspectivas. Insere-se, portanto, no âmbito do PIBIC/PIVIC. Acadêmicos e acadêmicas de Letras juntar-se-ão a uma coordenação para o trabalho de transcrições e análises em níveis: fonético-fonológicos, morfossintáticos, semânticos, pragmáticos e discursivos.

O corpus constituir-se-á de cantigas extraídas do CD de músicas da etnia Krahô, realizado pela FACOMB – Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás –UFG, a saber:

Cantigas de PEMB ´KAHÁK - Cantigas entoadas durante o ritual de PEMB ´KAHÁK, ritual de passagem de uma fase da vida à outra fase (fase adolescência – fase da vida adulta). É também um ritual de iniciação guerreira. O mais velhos repassam aos mais novos os conhecimentos guerreiros e ensinamentos sobre posturas durante toda a vida.

Cantigas de HOKREPÔJ - Cantigas entoadas ao entardecer, durante à noite e madrugada. São entoadas por um coro de mulheres (as “hokrepôj”, regidas por um cantor com maracá ( o “inkré ´r )

Cantigas de JOT-YON-PIN – Cantigas entoadas durante a Festa da Batata, realizada para marcar a passagem da estação chuvosa para a estação seca, marca a passagem do comando da aldeia da metade “Katam´jê” para a metade “ Wakmê´jê”. Durante a festa acontecem os casamentos e os acertos entre as famílias de casamentos futuros

Cantigas da KYIRÉ - A Kyiré é a machadinha sagrada dos Krahô, feita de pedra polida, muito antiga. Está ligada a muitas narrativas da etnia.

Cantigas de Witi – Estas cantigas são entoadas nas casas de Witi, enquanto os krahô esperam por determinado momento ritual, quando se enfeitam para a corrida das toras ou na preparação da comida da festa. Elas alegram esses momentos de espera e preparação. Casas de Witi são locais de reunião nas aldeias Krahô. Em cada aldeia existem pelo menos três.

Um amplo universo cultural emergirá, através da descrição do discurso Krahô, o qual desvelará como a vida se dá, numa compreensão que ultrapassa as balizas ocidentais. Através dos estudos linguageiros da etnia Krahô compreender-se-á melhor a própria condição humana, seus engenhos na criação de uma realidade psicossocial-linguageira.

1 A Bibliografia das Línguas Macro Jê (2002, apud Alves, 2004) arrola trabalhos sobre os Timbira falado por vários povos. Os estudos sobre os Krahô resumem-se a SHELL, O ( 1952) e SOUZA, S. M. (1990).

OBJETIVOS

1. Apreender, através do discurso de ritos, a matriz forjadora da significação constitutiva do universo psicossocial-linguageiro da etnia Krahô, em uma expressão de intencionalidade, racionalidade e inter-subjetividade.

Objetivos específicos

  1. Realizar transcrições fonético-fonológicas do discurso de ritos Krahô.
  2. Efetuar estudos morfossintáticos do discurso de ritos Krahô para apreender os itens lexicais e estruturas oracionais materializadas.
  3. Construir, a partir dos itens lexicais presentes no discurso de ritos Krahô, um pequeno dicionário.
  4. Apreender no intradiscurso (superfície lingüística) de ritos Krahô, os sistemas de valores, saberes de conhecimento e crenças, que desvelarão, na semiologia de sua produção, o sentido psicossocial do discurso.

METODOLOGIA

1.Fundamentação teórica interdisciplinar

No terreno da investigação discursiva, a relação constitutiva entre um modo de enunciação e o lugar histórico-social de onde emerge essa enunciação apresenta-se como uma preocupação norteadora. São, no entanto, inúmeras as possibilidades de se olhar para essa questão e outras do campo dos estudos do discurso, diversas as teorizações, gerando uma pluralidade investigativa denominada análises do discurso (MAINGUENEAU, 1999), que podem ser definidas a partir de diferentes problemáticas que se distinguem segundo o objeto de estudo, o tipo de sujeito e de corpus que cada problemática organiza (CHARAUDEAU, 1999). Acionaremos para enfrentar a complexidade da tarefa de empreender um estudo sobre o discurso de ritos da etnia Krahô, uma integração amalgamadora das seguintes abordagens teóricas: a Semiolingüística, a Teoria do Atos de Fala, a Teoria da Ação, as teorias Fonético-fonológica, morfossintática e semântica, além da interface constitutiva com a Antropologia.

Essa fase define-se como basilar aos docentes participantes da pesquisa, momento de constituição de domínio teórico a ser explicitado através de discurso científico.

2.Construção do corpus

Este estudo, inicialmente, penetrará no universo da etnia Krahô através das cantigas extraídas do CD de músicas da etnia Krahô, realizado pela FACOMB – Faculdade de Comunicação e Biblioteconomia da Universidade Federal de Goiás –UFG: Cantigas de PEMB´KAHÁK ; Cantigas de HOKREPÔJ ; Cantigas de JOT-YON-PIN; Cantigas da KYIRÉ: Cantigas de WITI.

O laboratório de línguas do Curso de Letras do Campus de Porto Nacional será o lócus para importantes fases da constituição do corpus, através da utilização de ferramentas multimídias, uma vez que os dados estão em materialidade fônica. Fase de transcrição das cantigas nas esferas fonético-fonológicas e ortográficas.

3. Análise do corpus

Esta proposta de pesquisa foi dividida em diferentes perspectivas, para que somadas traduzam o universo do discurso de ritos. Assim, conceitos teóricos pertinentes a cada perspectiva serão mobilizados. Fase de integração das etapas anteriores e de explicitação das teorias.

4. Redação

A redação do relatório final pelos pesquisadores deverá realizar-se através do gênero discursivo acadêmico-científico, denotando que percurso empreendido constituiu-se como base para espírito investigativo a ser utilizado nas atividades profissionais, assim como em outros níveis de programas de investigação.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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